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Escola de Música de Brasília

EMB – proposta de reforma e ampliação

Primeiramente, cabe dizer que a proposta de realizar o projeto do (novo) núcleo de Ensino Superior da Escola de Música de Brasília não poderia ser mais oportuna. A diretoria da EMB encomendou recentemente um projeto do arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, para uma nova escola para um sítio entre Taguatinga e Ceilândia. O plano é expandir para as cidades satélites o ensino básico e técnico atualmente fornecido na escola, localizada na 602 Sul, próxima à via L2. Segundo o diretor Carlos Galvão, após a implantação dessa nova sede, a idéia seria reformar a escola existente para a criação de um núcleo de ensino superior, a Faculdade da Escola de Música.

Assim, o objetivo desse projeto é oferecer uma alternativa para uma eventual ampliação da escola existente, não podendo contudo fazê-lo sem repensar o espaço atual. Portanto, além do projeto da nova faculdade, esse projeto irá reformular como um todo a Escola de Música de Brasília.

Para a instalação desta Faculdade na unidade da Asa Sul, o diretor afirma serem necessários apenas pequenos ajustes de relevo para que se implante projeto semelhante ao proposto para Sobradinho – 3 edifícios de 3 pavimentos articulados por uma praça. Cabe observar que a implantação impensada de edificações em um sítio pode ser extremamente prejudicial ao conjunto arquitetônico, basta verificar a situação do Teatro Levino de Alcântara, que será analisada adiante.

Acredita-se ser de suma importância a consideração das partes de um projeto como um todo, no momento de definir que caminhos devem ser seguidos em um projeto. O prédio não pode ser isolado de seu contexto, especialmente nesse caso. Lúcio Costa já alertava para essa questão dos condicionantes de projeto em sua precisa definição de arquitetura:

“Arquitetura é antes de mais nada construção, mas, construção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e visando a determinada intenção.”

Por esses motivos, reclama-se à problemática do projeto do Núcleo Tecnológico da Escola de Música de Brasília a necessidade de sua integração espacial – e o conseqüente estudo da melhor maneira para tal – com os demais Núcleos da instituição, o Básico e o Técnico. Entendendo o novo núcleo como parte de uma luta histórica e de uma busca incessante pela melhoria do ensino, o projeto procurou garantir a manutenção do ensino continuado, agregando novos espaços aos existentes ao mesmo tempo em que requalificamos e fortalecemos as estruturas vigentes.

Funcionamento da escola

A Escola de Música de Brasília disponibiliza cursos de musicalização infantil – equivalente ao ensino fundamental –, musicalização juvenil (vespertino e noturno) e adulto (noturno), além do curso técnico – equivalente ao ensino médio no currículo escolar. Também oferece o ensino de instrumentos musicais, dividido em níveis básico e técnico.

Deve-se observar a questão etária no quadro de ensino do CEP-EMB, pois neste quesito, o ensino de música se distingue dos demais. São conhecidos os casos de pianistas que iniciaram seus estudos por volta dos 4 anos de idade e que já aos 12 realizavam concertos frente a grandes públicos. Isso acontece porque a aprendizagem da linguagem musical torna-se bem mais natural e intuitiva para crianças em idade de alfabetização. Segundo Luiz Alberto Tibana, professor da escola há 27 anos, a musicalização de adultos acaba sendo sempre um processo mais lento e delicado, havendo necessidade de uma estratificação das faixas etárias na disposição do curso.

A Escola de Música atende hoje a alunos a partir de 7 anos de idade, sem limites para os mais velhos, sendo comum encontrar musicalizandos de 70 anos de idade. Segundo Tibana, existe a intenção de se baixar ainda mais essa idade inicial, chegando a crianças de 5 anos, mas, para isso, faz-se necessária a adaptação das facilidades da escola para crianças menores, talvez mesmo separando esse grupo de menores de 10 anos em um pavilhão distinto, o que ainda não se viabilizou de fato. Enquanto isso as crianças de 7 a 10 recebem curso especial de musicalização, com a duração de dois anos. As demais crianças, com ingresso aos 10 e 11 anos tem o curso de musicalização de três anos e meio, enquanto jovens e adultos se musicalizam em até 3 anos. A parte técnica do curso teórico tem a mesma duração de quatro anos para todas as idades e o tempo de permanência mínima do estudante de instrumentos varia de acordo com o instrumento que escolhe. Assim, o aluno que ingressa desde cedo na escola, passa em média de 8 a 10 anos na escola.

Conjunto arquitetônico

O conjunto de edifícios que compõe a escola de música de Brasília localiza-se no Setor de Grandes Áreas Sul, quadra 602, módulo D. Trata-se de uma área de destaque, devido à proximidade com o Eixo Monumental e de fácil acesso por meio da via L2 Sul. O CEP-EMB é vizinho do CESAS (Centro de Ensino Supletivo da Asa Sul), sem o qual ficaria inviável a realização dos Cursos de Verão, já que este sede suas instalações para alojar o grande número de estudantes e professores que vêm de fora.

Os acessos de pedestres se dão de duas maneiras: a principal a partir do ponto de ônibus da L2 Sul, por meio de uma escadaria lateral que desce do nível da rua até o estacionamento, cerca de 2 metros e meio de altura; a secundária a partir de uma calçada lateral ao acesso de veículos do estacionamento frontal – dos professores. Além desse estacionamento, há o posterior, utilizado em dias de concerto no auditório principal e o lateral, externo ao terreno, de lado para o Colégio Santa Rosa. O partido arquitetônico adotado para as edificações existentes apresenta uma solução interessante. A distribuição espacial é feita a partir de um eixo central de circulação, uma longa passarela, com a função de encaminhar o visitante até um dos blocos, dispostos perpendicularmente.

A área total do terreno da Escola de Música é de 41.176m², sendo que apenas 7.186m² são ocupados pela escola – o que resulta numa taxa de ocupação baixa, apenas 17,46% do lote, menos da metade da taxa de 40% permitida legalmente pela NGB do local. A norma também permite a verticalização em até três pavimentos em 40% da taxa de ocupação e a pavimentação de 70% do terreno. A subutilização do lote evidencia o potencial do terreno para a ampliação das instalações existentes.